quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Ebola é maldição divina, dizem líderes africanos

e-bolaEnquanto as nações ocidentais tentam proteger seus cidadãos do crescente surto de Ebola, na África Ocidental alguns líderes cristãos começaram a falar do vírus como uma maldição de Deus.
Na sexta-feira (08 de agosto), a Organização Mundial de Saúde declarou que a crise Ebola assola a região e já é considerada uma emergência de saúde internacional. No mesmo dia, a Nigéria tornou-se o mais recente país da África Ocidental a declarar que a crise é uma emergência nacional, um dia depois da Espanha tirar um padre e uma freira da Libéria para Madrid.


No sábado (09 de agosto), uma freira morreu de Ebola em Monróvia, capital da Libéria, noticiou a AP. O surto começou em dezembro, na Guiné, mas não foi descoberto até março. Desde então, a doença matou mais de 1.000 pessoas na Libéria, Guiné e Serra Leoa.
“As pessoas estão tendo diferentes concepções errôneas de que se trata (a maldição) de Deus”, disse o bispo Sumoward Harris, agora aposentado da Igreja Luterana na Libéria. “Isto é, dependendo de como eles estão interpretando a Bíblia. Mas eu não acho que Deus está com raiva e está enviando a doença como um castigo. ”


Na Libéria, mais de 100 líderes cristãos reunidos no início de agosto declararam que Deus estava com raiva e  o vírus Ebola seria uma praga enviada. Eles pediram orações para buscar o perdão de Deus pelos pecados, incluindo a corrupção e atos imorais como a homossexualidade.


Da Libéria Wilmot Kotati Bobbroh, chefe da Água Viva Igreja Pentecostal, mais tarde descreveu o surto como uma maldição nacional trazida por Deus para forçar o arrependimento. Bobbroh disse que cloro e sabão não estavam funcionando, mas só a misericórdia de Deus poderia salvar as pessoas.


Em Serra Leoa, uma visão semelhante está ganhando credibilidade, de acordo com Ebun James-Dekam, secretária-geral do Conselho de Igrejas em Serra Leoa. “Ele (o vírus) tem algumas semelhanças com o que aconteceu quando a epidemia de HIV / AIDS ocorreu pela primeira vez”, disse James-Dekam.


Inicialmente os infectados com o Ebola em Serra Leoa contava com o tratamento dos curandeiros tradicionais, mas este mostrou-se ineficaz, disse ela. “Praticamente todas as igrejas agora estão contando com ajuda de profissional médico para o tratamento”, acrescentou.


Harris disse que o vírus se espalhou rapidamente porque pouco se sabia sobre o assunto e que o governo não tinha dado parecer. “As pessoas começaram a levar os familiares para casas de oração, enquanto outros estavam administrando o tratamento com ervas”, disse Harris.

Fonte:http://www.libertai.com.br/ebola-e-maldicao-divida-dizem-lideres-africanos/

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